domingo, 20 de outubro de 2013

Esperança em dias melhores

Olá, pessoal, quase um ano depois, volto a postar no blog, por uma daquelas notícias que sempre me deixam esperançoso de que as pessoas podem ter uma segunda chance na vida: li no site DMJur (Difusão de Matérias Jurídicas) que Micherlan Breno da Cruz Dantas, um preso que cumpre pena no presídio de Santa Rita, em João Pessoa, PB, descobriu durante o cumprimento de sua pena de 11 anos em regime fechado por dois assaltos a mão armada (roubo qualificado) que tem o dom para o artesanato.

Segundo ele, a descoberta aconteceu quando decidiu (e conseguiu) esculpir um leão em um sabonete como forma de presentear o filho, uma vez que não tinha dinheiro para comprar-lhe um presente. No início deste mês, em inspeção a sua cela, os agentes do presídio encontraram uma máscara feita de sabão, com as feições do segurança responsável pela guarda dos detentos. Após as naturais averiguações quanto às intenções do detento, verificou-se que se tratava apenas de uma maneira que ele encontrara de obter mais material (sabão) para trabalhar.


O resultado? Micherlan passará a dar aulas de artesanato para outros presos do complexo penitenciário a partir desta semana. E o melhor: outros detentos já manifestaram o desejo de assistir às aulas. É um belo caso de pessoas que estão tentando recomeçar. Cabe ao poder público se estruturar para propiciar a eles essa oportunidade, e à sociedade acolher essas pessoas em seus planos de melhoria pessoal, através de um trabalho honesto.

Grande abraço a todos.

Douglas Drumond.

domingo, 28 de outubro de 2012

Errata... mas sem prejuízo!!!

Na última postagem ("O ímpeto do Min. Joaquim Barbosa"), cometi um equívoco, mas que em nada altera o ponto de vista que defendi: na verdade a lei nova não abrandou, mas agravou a situação do réu (me refiro ao art. 333 do Código Penal, que previa pena de 1 a 8 anos, e que, a partir de 2003, passou a prever pena de 2 a 12 anos), e o Min. Joaquim Barbosa entendia caber a lei nova, mais gravosa para o réu (novatio legis in pejus). Foi vencido (e convencido de que estava errado), mas resolveu manter em seu voto a pena que equivocadamente fixara.
 
Tal fato não altera meu ponto de vista porque, necessariamente, o Ministro deveria ter aplicado desde o início a lei mais benéfica (anterior), e, tendo feito menção à lei mais gravosa, deveria ter ajustado a dosimetria de seu voto para uma pena menor, considerando a lei anterior.
 
Grande abraço.
Douglas Drumond

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O ímpeto do Min. Joaquim Barbosa

Tenho grande admiração pelo Min. Joaquim Barbosa: por sua avidez por justiça, por seu comprometimento no combate à prática nefanda da corrupção, que atravanca o desenvolvimento político, social e econômico do país.

Entretanto, é preciso que o Ministro entenda e observe em seus votos os limites das garantias individuais asseguradas pela Constituição Federal, limites estes aplicáveis a todos, indistintamente, inclusive àqueles os quais sabemos tratar-se de corruptos contumazes.

A posição defendida ontem durante a sessão do julgamento do mensalão pelo Min. Joaquim Barbosa, no sentido de aplicar pena prevista em lei anterior que agrava a situação do réu, afronta Princípios básicos do Direito Penal brasileiro.

Ora, se havia dúvidas sobre que lei utilizar, se a anterior, mais rígida, ou a posterior, mais branda, não se discute: aplica-se a mais branda (in dubio pro reo); se o fato ocorreu sob a égide da lei mais branda, aplica-se esta (legalidade, pura e simples); se o fato ocorreu antes, sob a égide da lei mais rígida, também aplica-se a lei mais branda (retroatividade da lei mais benéfica ao réu - novatio legis in mellius). Ou seja, não há como aplicar a lei mais rígida neste caso.

E o próprio Min. Joaquim Barbosa se convenceu disso em plenário; só que, na prática, ao determinar a dosimetria da pena, como compensação, utilizou os limites mínimo e máximo da pena base para majorar a pena, isto é, em vez de se manter no meio da faixa, como fez quando dosou a pena com base na lei mais gravosa, passou para o final da faixa da lei mais benéfica, compensando o abrandamento trazido pela lei nova. Obviamente, isso é inadmissível. O Ministro não é legislador, não pode se trair a este ponto. É preciso que tenhamos um país que pune seus criminosos, sim, mas dentro da legalidade, sem a qual a própria democracia fica ameaçada.

Grande abraço.
Douglas Drumond

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Política e Direito no STF: o Caso "Mensalão”

Li hoje no site político Carta Maior o artigo “Política e Direito no STF: o Caso ‘Mensalão’” escrito pelo Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, sobre o julgamento do mensalão, no qual sustenta que a imprensa e a população já condenaram previamente os acusados, numa espécie de complô para “liquidar o PT”. Para isso, o Governador claramente atribui total importância ao devido processo legal do julgamento, e nenhuma importância ao caso em si. Para quem quer se indignar um pouco, sugiro a leitura em: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20691#
Após ler o artigo, enviei o seguinte comentário ao site:
“O artigo do Governador Tarso Genro é típico de quem busca deslocar o foco da discussão. É óbvio que existe pressão popular em buscar a verdade dos fatos; é óbvio que a imprensa, em seu papel de informar e de formar opinião, é um enorme agente dessa pressão; mas isso não significa que esse movimento popular seja um complô pela condenação dos acusados. O que se quer é a apuração dos fatos, simplesmente isso!
O Governador ‘chove no molhado' quando exalta o fato de estar havendo um julgamento com o devido processo legal: isso é óbvio, afinal, já faz 25 anos que nos livramos da ditadura, graças a Deus. Chega a ser ridículo ler um governador de estado declarar que “Do ponto de vista do futuro do país, no contexto da Revolução Democrática, o que menos interessa agora é se os fatos narrados pelo Ministério Público como fatos delituosos existiram ou deixaram de existir”. O que é isso?! Uma autoridade que preza pela moralidade e pela probidade no trato da coisa pública deveria ter um mínimo de compostura ao fazer declarações públicas; deveria refletir no absurdo que é dizer o que disse o Governador.
Focar na necessidade de um procedimento judicial, e não político, como sendo o mais importante nesse julgamento é minimizar o que está sendo julgado; e o que está sendo julgado, isso sim, é gravíssimo para o país: um governo que supostamente monta todo um esquema de compra de votos de parlamentares, pagando em dinheiro vivo! Não é nem mais o ‘uma-mão-lava-a-outra’ ou o ‘toma-lá-dá-cá’, que embora também condenáveis, já era até certo ponto tolerável como parte do jogo político. Não, a acusação é de uso de DINHEIRO VIVO mesmo. Isso é gravíssimo!!!
Aliás, Trata-se de uma acusação tão grave, que os próprios advogados têm conduzido suas defesas no sentido de negar o mensalão, dizendo que esse dinheiro advinha de recursos de campanha não contabilizados (o chamado “caixa dois”), como se isso também não fosse uma prática ilegal...
Enquanto isso, aqui estamos nós, acompanhando com interesse o resultado do julgamento do mensalão, não com o espírito de uma pré-condenação, como tem nos atribuído o Governador, mas com a certeza de que, em havendo provas de corrupção nos autos, que seus agentes sejam punidos, na forma da lei, e que sejam absolvidos, caso contrário.”
Grande abraço.

Douglas Drumond

terça-feira, 19 de junho de 2012

Lula e Maluf: óleo e óleo

Já se vai muito longe o tempo em que uma aliança entre Lula e Maluf causaria espanto; pelo menos para mim, que cresci depositando no líder petista boa parte da esperança que tinha em um país politicamente mais evoluído.

Na verdade, exceto nos inocentes anos de ginásio, eu nunca fui desses românticos que consideravam essa ou aquela corrente como a única capaz de salvar o país; eu tinha, sim, minhas preferências políticas, mas desde cedo consegui entender que em matéria de política não há santos ou demônios, mas homens, uns com mais pudores do que outros, mas que invariavelmente desejam o poder.

Mesmo assim, até o PT ser governo e Lula deixar de representar a esperança de dias melhores para se transformar em uma realidade não tão melhor assim, imaginar o petista aliado a Maluf soaria como um absurdo, uma aberração.

Mas depois de todos os casos de corrupção que aconteceram debaixo das barbas - literalmente - de Lula, depois do mensalão, do Valdomiro, do José Dirceu, do Pallocci, depois de tudo isso, sendo muito sincero... não me surpreendo com nada, nem mesmo com uma aliança Lula-Maluf.

Marina Silva deu uma alfinetada em seu ex-chefe, dizendo ser essa aliança uma mistura entre água e óleo. Discordo: é óleo se misturando com óleo; pior: ambos são óleo reaproveitado de várias e várias frituras, durante anos de um "toma-la-da-cá" político sem fim.

Grande abraço.

Douglas Drumond

domingo, 1 de abril de 2012

Diz-me com quem andas...

O ator e deputado federal Stepan Nercessian pediu afastamento do PPS, após a divulgação das notícias que dão conta de ter ele recebido R$ 175 mil do empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de envolvimento com o jogo do bicho.

Em sua defesa, o deputado assegura que pediu emprestado R$ 160 mil como garantia de um imóvel que estava comprando, e que os outros R$ 15 mil foram depositados em sua conta como restituição do valor gasto por ele para adquirir um ingresso para o Carnaval do Rio de Janeiro, um favor que fizera ao amigo Cachoeira.


Ao vir à tona sua ligação com o empresário, e face ao turbilhão de acusações de que este é alvo, e que envolveu o Senador Demóstenes Torres, outro amigo do empresário, Stepan Nercessian foi mais longe, pedindo afastamento temporário de seu partido, e pedindo ele próprio uma investigação contra si mesmo para apurar as denúncias.

Tudo muito bem, mas cabe aqui analisarmos o seguinte: como é que um homem público, sobretudo um deputado que espera gozar da confiança de seus eleitores, mantém uma amizade com um empresário de jogo de bicho? Quão tamanha é a promisquidade no meio político, que faz com que um deputado tenha esse tipo de ligação com alguém que vive à margem da lei...

Sendo muito sincero, a mim, como cidadão, não importa o desfecho das investigações a dizer se o dinheiro era lícito ou não. Meu veredito está dado: um homem público que se dê ao respeito não pode se envolver, minimamente sequer, com esse tipo de gente!

Grande abraço.

Douglas Drumond

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ratos no Senado

Descobriram esta semana ratos no Senado Federal. Inevitáveis as piadas que viriam a seguir: "Qual é a novidade nisso?"; "Ratos no Senado??? Haja veneno pra matar tantos..." e por aí vai...

Piadas geralmente têm um fundo de verdade, principalmente porque, em geral, vêm do povo; e, como se sabe, "a voz do povo é a voz de Deus". A política no Brasil tem realmente um quê de selvageria, de jogo sujo, fama obtida a partir de tantas fraudes, tanta negociata, tantos acordos feitos às escondidas, exatamente como fazem os ratos das histórias infantis.

É difícil mudar essa percepção das pessoas, mas o mais perverso nisso tudo é a existência da própria piada: o povo sabe da patifaria que é a política no Brasil e... apenas faz piada!!!

Se há ratos no Senado, nós, do lado de cá, deveríamos pensar seriametne em dedetizar a Casa.

Grande abraço.

Douglas Drumond

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Ditador se foi... e agora???

Impressionantes as cenas veiculadas ontem na TV, a propósito da morte do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, mostrando o choro compulsivo de um sem-número de norte-coreanos, que agiam como se tivessem realmente perdido um pai.
Seria até comovente ver um povo chorando a morte de seu líder, não fosse ele quem era: o chefe do Estado mais totalitário do planeta, responsável por uma ferrenha repressão a seu povo, um dos mais pobres do mundo, deixado à míngua por esse terrível ditador, conforme explicitado pela Human Rights Watch (HRW), uma das maiores organizações independentes dedicadas à defesa e proteção dos direitos humanos no mundo, em comunicado de seu Diretor Executivo, Kenneth Roth, acerca da morte de Kim Jong-il:
"Kim Jong-il será recordado como o responsável de uma massiva e sistemática repressão que permitiu deixar morrer de fome o seu povo. (...) O regime de Kim Jong-il foi um inferno dos direitos humanos na terra (...)”. Segundo o Diretor Executivo da HRW, Kim Jong-il governou “pelo medo e pela sistemática e generalizada violação dos direitos humanos, incluindo execuções arbitrárias, tortura, trabalho forçado e limites rígidos à liberdade de expressão e de associação".
A reação dos norte-coreanos à morte do ditador revela que ainda hoje, em pleno Século XXI, há povos que simplesmente não se imaginam vivendo sem um grande líder, sem alguém que os guie, mesmo que o faça de maneira truculenta, injusta e desumana.
Essa necessidade, que remonta épocas anteriores a Cristo, de se ter um Ente Supremo, um Soberano, um representante de Deus na Terra, nos leva à reflexão acerca do quão difícil é – ou deve ser – o trabalho das instituições que buscam assegurar as liberdades e os direitos humanos pelo mundo. Sobretudo porque essas ditaduras são alimentadas exatamente por essa dependência.
E especificamente na Coreia do Norte, parece que a continuidade está garantida porque Kim Jong–Un, filho do ditador, deverá seguir fielmente os passos do pai, já que, ao que se sabe, é a imagem e semelhança de seu genitor.
Pelo jeito, o caminho do desenvolvimento humano é bem mais longo do que parece...
Grande abraço.
Douglas Drumond.

sábado, 12 de novembro de 2011

Agenda da Presidente Dilma

Agenda de Dilma 12/11/2011: A presidente Dilma Rousseff passa o final de semana em Brasília (DF), sem compromissos oficiais. (Fonte: Presidência da República)

A presidente Dilma está sem compromisso para o final de semana??? Opa! Era a chance que o Lupi precisava. Que tal um convite para um jantar a dois...

Grande Abraço.

Douglas Drumond

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O feitiço e o feiticeiro

A doença do ex-presidente Lula trouxe à tona uma pertinente discussão acerca da qualidade do serviço público no Brasil: afinal, se todo governante garante que em sua gestão o serviço disponibilizado à população melhorou, que "fez muito e ainda poderá fazer muito mais", que, "agora sim, o povo tem um serviço público de qualidade" etc etc etc, por que razão eles próprios, quando precisam, procuram o serviço privado?

O ex-vice-presidente José Alencar, a então Ministra Dilma Rousseff, e, agora, Lula escolheram o Hospital Sírio-Libanês para tratar de seus tumores. Seria, obviamente, muita ingenuidade imaginar que, podendo escolher, qualquer um deles se submeteria a buscar os serviços do SUS para se tratar. Na verdade, nenhum de nós do povo, podendo escolher, optaria pelo serviço de saúde pública que nos é oferecido.

Vale destacar que um dos raríssimos serviços públicos de excelência que temos no Brasil é exatamente o serviço prestado pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer), tido, nacional e até internacionalmente, como referência no tratamento contra a doença.

Entretanto, como mencionei, o INCA é exceção; a regra são as malfadadas e intermináveis filas de espera e a falta de estrutura, seja em termos de locais adequados, seja em termos de equipamentos modernos e de equipes treinadas. Conforme artigo do jornalista Elio Gaspari, “No andar do SUS, uma pessoa que teve dor de ouvido e sentiu algo esquisito na garganta leva uns trinta dias para ser examinada corretamente, outros 76, na média, para começar um tratamento quimioterápico, 113 dias se precisar de radioterapia. No andar de Lula, é possível chegar-se ao diagnóstico numa sexta-feira e à químio na segunda. A conta fica em algo como R$ 50 mil”.

Não vou cometer aqui a grosseria que alguns têm cometido, sobretudo pela internet, essa “terra de ninguém”, de dizer que “é bem feito...”, que “eu quero ver agora o Lula se tratar no SUS...” etc (é preciso respeitar o momento delicado por que passa o ex-presidente), mas mesmo assim, vale a reflexão: é sabido que a política que é feita no Brasil visa muito mais à manutenção do poder do que às ações efetivas em prol da população. É de se imaginar, então, que deveria haver previsão legal de que todos os membros dos três Poderes da República fossem obrigados a somente utilizar escolas e hospitais públicos. Assim, com certeza, a educação e a saúde públicas atingiriam o nível de um país sério...

É óbvio que ninguém vai imaginar que o serviço público vá ser melhor do que o que é prestado na iniciativa privada (via de regra, isso também não acontece em países desenvolvidos); mas as pessoas têm o direito de ter a sua disposição atendimentos de saúde e serviços educacionais minimamente nivelados aos oferecidos pela iniciativa privada.

O Presidente Lula tem o direito de se tratar pelo SUS e sair curado, da mesma forma que, se Deus quiser, vai acontecer em seu tratamento no Sírio-Libanês.

Grande abraço.

Douglas Drumond